[Crítica] Sinfonia da Necrópole (2014)

[Crítica] Sinfonia da Necrópole
Um musical nacional que se passa no cemitério. Isso é Sinfonia da Necrópole. E é ótimo! Esse foi o primeiro longa de Juliana Rojas, que co-dirigiu o premiado Trabalhar Cansa (2011). 

O longa nos mostra a rotina de um cemitério sobre o olhar do aprendiz de coveiro Deodato (Eduardo Gomes). Ele foi indicado por seu tio para trabalhar no cemitério, mas seu chefe vive chamando sua atenção por causa do seu medo e crises recorrentes. Ele não tem vocação alguma para o cargo. 
Até que Jaqueline (Luciana Paes) aparece ao ser contratada para reorganizar o cemitério, que está lotado. Ela deve tirar os túmulos e restos mortais do local X e levar para o local Y para “otimizar” o espaço. Ela e Deodato começam a trabalhar juntos. Mas aí surge a ideologia de Deodato: ele acha errado remover os cadáveres, mesmo aqueles que não encontram os seus “donos”, enquanto ela quer apenas realizar sua forma eficaz e rápida.

[Crítica] Sinfonia da Necrópole

O filme encanta pela inovação e pelo bom humor. A história é simples, mas também é original e os números musicais são divertidos. E também faz uma crítica à especulação imobiliária. Jaqueline tem a ideia de “verticalizar os túmulos” para que mais espaços fiquem disponíveis para novas famílias trazerem seus parentes falecidos. Isso mesmo, a especulação imobiliária tão conhecida por nós é caricaturada no filme. Mas não, o filme não faz nenhuma crítica planfletária.
E os mortos, claro, não gostam nada da novidade. Numa noite que Deodato passa no cemitério trabalhando, ele é “visitado” pelos mortos; esse é um belo número musical do filme.
Mas essa caricatura da especulação imobiliária não é o único trunfo do filme. O “romance” também é bom de assistir e super original. Em vez de cenários típicos de romances ou comédias românticas, o filme tem como cenário o cemitério quase todo o tempo, rodeado pelos altos prédios de São Paulo. E, claro, os números musicais também merecem destaque. Mas não espere nada como os musicais hollywoodianos!

[Crítica] Sinfonia da Necrópole

Com personagens cômicos como o padre que gosta de comer hóstias não abençoadas quando bate a fome e o idoso que é obcecado em garantir um lugar no cemitério para quando morrer, Sinfonia da Necrópole se destaca ao conseguir misturar com equilíbrio humor, suspense e crítica, tudo de uma maneira muito original. E já nos deixa ansiosos pelo segundo longa-metragem da diretora.
Nota: 4/5