[Crítica] A Garota de Fogo (2014)

[Crítica] A Garota de Fogo

A Garota de Fogo é um filme surpreendente, com uma aura de tensão do início ao fim. Agressividade crescente. Desconcertante. Extremo. Temos alguma surpresa a cada ato. 

O filme começa com uma cena que aparentemente não tem ligação com a história. Vemos a pequena Bárbara (Marina Andruix) pregando peça em seu professor Damián (José Sacristán). Guarde a cena. Ela será importante nos momentos finais do longa.
Em seguida, começamos a seguir a história de Luis (Luis Bermejo), professor atualmente desempregado com uma filha, Alicia (Lucia Pollán), que tem 12 anos, tem leucemia e tem pouco tempo de vida. Agora, ele procura uma forma de realizar os últimos desejos dela. Para ganhar dinheiro, ele tenta vender livros em sebos, mas isso não é suficiente para juntar a quantia que ele precisa para comprar o figurino que descobriu que sua filha tanto deseja. E para conseguir satisfazer um dos últimos desejos de sua filha, ele ultrapassa limites morais e éticos.
E então somos apresentados à história de Bárbara (Bárbara Lennie), agora adulta, que vive em seu apartamento, num estado mental não muito bom, recebendo remédios de seu marido psiquiatra Alfredo (Israel Elejalde). As histórias de Luis e Bárbara se cruzam e então começa a surgir uma rede de chantagens entre os dois.
Vemos os personagens principais em situações incômodas, que provavelmente não se submeteriam ao que se submeteram num cenário “normal”. O filme é tenso, envolvente e com reviravoltas que impressionam e agradam. O mistério consegue ficar no ar durante todos os 127 minutos do longa, com revelações bem dosadas. O filme não expõe tanto, e sim nos induz a pensar sobre o que acabou de acontecer.

[Crítica] A Garota de Fogo
A Garota de Fogo também brinca com a personalidade do povo espanhol. De acordo com um personagem em certo momento, os espanhóis orbitam perdidos entre a emoção e a razão, enquanto países nórdicos são claramente “razão” e os latinos são claramente “emoção”, e todos estão muito bem com isso.
No terceiro ato, a história muda. Aquela busca do pai para fazer os últimos desejos de sua filha fica para trás. E o filme aposta em cenas violentas. Começamos assistindo a busca de um pai comovido por um vestido raro para sua filha, e acabamos sendo levados para outra história complexa e explosiva. Não é à toa que o filme recebeu tantos elogios de Pedro Almodóvar.
Esse é o segundo longa-metragem de Carlos Vermut. E com um resultado tão bom, certamente ficaremos de olhos para os seus próximos trabalhos. 
Nota: 5/5