[Crítica] O Conto dos Contos (2015)

[Crítica] O Conto dos Contos (2015)

O Contos dos Contos é visualmente esplêndido e conta com uma ótima narrativa. O filme, com direção de Matteo Garrone, é livremente baseado no livro de Giambattista Basile.


Garrone nos apresenta três histórias, em três reinos distintos, que se entrecruzam em certo momento. O filme é um conto de fadas fiel e subversivo, com violência, coisas grotescas e desconfortáveis.

A primeira subtrama é protagonizada pela atriz Salma Hayek, que interpreta uma infeliz rainha ao lado de seu marido, John C. Reilly, por não conseguir engravidar e dar à luz um herdeiro. Ela já está naquele ponto que aceita tudo para que seu desejo seja realizado, então resolve seguir a indicação de um misterioso homem: comer o coração de um monstro marinho.

[Crítica] O Conto dos Contos (2015)
Seu marido vai em busca do monstro marinho e consegue pegar o seu coração (numa cena lindíssima de assistir, diga-se de passagem). Ela consegue o coração do monstro, mas perde seu marido. E algo estranho acontece: a virgem que cozinhou o “prato” para a rainha acaba ficando grávida e as duas têm filhos gêmeos albinos, cada um de um dos ventres. Os dois crescem e são muito próximos, e a rainha não gosta nada dessa proximidade.
[Crítica] O Conto dos Contos (2015)
A segunda história é protagonizada por Vincent Cassel, interpretando um rei mulherengo. Sempre seduzindo mulheres e participando de orgias, ele fica impressionado ao ouvir a voz doce de uma camponesa. A voz o encanta tanto que ele logo tem a certeza de que ela é a futura rainha. Ele vai atrás da pretendente, mas há um grande problema: ela está longe de ter a aparência (e mesmo a idade) que ele espera.

Os dois passam a noite juntos, sem que ele a veja, sempre no escuro. Até que a luz do dia vem e ele vê a aparência da mulher. Revoltado, manda seus serventes jogá-la pela janela. Após a queda, ela encontra uma bruxa, que muda a sua aparência para a da jovem atriz Stacy Martin. O rei vê a jovem e se apaixona novamente, mas dessa vez, como a aparência dela lhe agrada, casa e a torna a nova rainha. Mas até quando essa aparência irá durar?

[Crítica] O Conto dos Contos (2015)

Por fim, a terceira e última história traz Toby Jones como um rei viúvo que cria sua filha, a princesa interpretada Bebe Cave. O rei encontra uma pulga e resolve cuidar dela. Mas o bichinho não para de crescer. Após a morte da pulga gigante, ele usa o couro retirado de seu pulmão para encontrar o pretendente para a sua filha. Mas o plano não dá muito certo, já que o pretendente que acerta a pergunta está longe de ser o ideal.

O filme acerta por mostrar três contos de Giambattista pouco conhecidos entre a maioria das pessoas. As três histórias pouco se interligam, apenas no início e no fim, mas todas tratam de ilusão, obsessão e paixão. A intenção é claramente criar uma história fragmentada, mas pode ser vista como pouco coesa entre parte do público – esse seria o único defeito do longa, mas que mesmo assim não cria nenhuma barreira para deixar de ser totalmente aproveitado.

[Crítica] O Conto dos Contos (2015)

O ritmo, visual e elenco do filme são todos acertados. O filme é fascinante, e a história tem uma certa dose de sombria. E já mencionei isso, mas nunca é demais repetir, é visualmente impecável! O filme foi indicado à Palma de Ouro em 2015.

Nota: 4/5