[Crítica] Better Call Saul: 2×03 – Amarillo

Algo que se pode elogiar de cara a respeito de Better Call Saul é a sua pretensão narrativa em ser simples. Indo na contramão da maioria das séries aclamadas pela crítica hoje em dia, o novo produto de Vince Gilligan e Peter Gould não se acanha em mostrar o recorte de uma vida muito específica, e como ela se transforma – mesmo que essa transformação aconteça a conta-gotas.



É o que temos. A cada episódio, fica a impressão de que pouca coisa andou para levar Jimmy ao seu destino incontornável como Saul Goodman, o advogado mais pilantra e adorável de Breaking Bad. No terceiro episódio, vemos como Jimmy se esforça para pôr no ar um episódio para a empresa Davis & Main. Ao se deparar com o comercial que estão atualmente rodando, o herói da série fica revoltado pois sabe que pode fazer um bem melhor que aquele.

Tudo no episódio gira em torno da feitura dessa peça publicitária, sua veiculação na programação televisiva e no que os chefes acham disso tudo, uma vez que descobrem que Jimmy agiu às escondidas.

A princípio, ele quer impressionar. Sabe que pode impressionar os chefes, trazendo mais clientes (idosos, sua demografia favorita). Contrata dois cinegrafistas para o serviço. A cena em que o comercial é ensaiada e finalmente produzido é primorosa. Há ainda a pérola visual em que Jimmy transforma um elevador de escada para idosos numa dolly, importante apetrecho cinematográfico que permite realizar tomadas em movimento.

Como ele previu, o comercial é um sucesso. Assim que é exibido pela primeira vez, o telefone da Davis & Main não para de tocar. Os chefes, no entanto, parecem não ficar tão entusiasmados com a novidade e ligam para Jimmy, que recebe uma reprimenda surpreendente. Exemplar na sua maneira de encerrar os episódios, a série presenteia os fãs com mais um final de partir o coração. Jimmy assiste TV com Kim enquanto descredita a importância do telefonema que acabou de receber. Ele não conta a verdade para Kim e, ao que parece, também não acredita na verdade ele mesmo.

Nota: 4.5/5