[Crítica] Game of Thrones: 6×05 – The Door

Cenas de cortar o coração são comuns em Game of Thrones. Decaptações, Casamento Vermelho, massacres, torturas… Por isso, já nos acostumamos com as mortes? Não. Mas a morte de Hodor (Kristian Nairn) foi triste. Com tantas mortes a cada semana, o tema poderia ficar banalizado. Mas essa não.



A morte de Hodor, seus momentos finais em vida, foi exatamente o que o transformou naquela pessoa de uma palavra só que conhecemos. Bran (Isaac Hempstead Wright), afinal de contas, consegue interagir diretamente com o passado. A gente pode ter uma pequena dica sobre isso após seu pai aparentemente ouvi-lo naquele flashback na Torre da Alegria. Mas nada além disso aconteceu, nada foi confirmado.

Como curiosidade: a ideia original da origem de “Hodor” veio de George RR Martin. É algo importante de se dizer, pois já que a série passou dos livros, então não sabemos o que veio da mente de George RR Martin e o que veio da mente dos criadores David Benioff e DB Weiss. Os criadores confirmaram: Hodor sempre foi “Hold the Door”.

 

Os minutos finais do episódio foram excelentes. O Rei da Noite voltou e invadiu a caverna do Corvo de Três Olhos. E agora surge a dúvida sobre o que Bran pode fazer com seus poderes. Mas já podemos ter um pensamento: uma vez que ele entenda como lidar com seus poderes, isso vai ser muito importante para a história.

Porto Real não apareceu (mas já vimos pelo teaser que aparecerá no próximo episódio). O foco ficou com Arya (Maisie Williams) e as Ilhas de Ferro. Nas Ilhas de Ferro, quando Yara (Gemma Whelan) estava prestes a assumir o papel de rainha (Theon, que era o herdeiro, reafirmou o papel de sua irmã), o seu tio Euron (Pilou Asbæk) apareceu e acabou assumindo o lugar.  A ideia dele é ir até Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), casar com ela, e ajudá-la a conquistar Westeros. Euron ganhou o voto popular dos homens e em seguida foi coroado. Enquanto isso… Yara e Theon (Alfie Allen) fugiram das Ilhas de Ferro.

 

Arya Stark continua treinando. E agora ela tem a missão de matar uma atriz. Ela é enviada por Jaqen H’ghar (Tom Wlaschiha) assistir a uma peça. Mas não é uma peça qualquer. É a história da morte do rei Robert e da decapitação de Ned Stark. A peça é uma comédia, mas obviamente Arya não vê tanta graça em ver como o seu pai está sendo retratado e em “rever” a “morte” do seu pai.

 

O pai dela é uma piada. Ele é retratado como um admirável e respeitável tolo. Não, Ned não era um idiota, mas podemos dizer que era ingênuo e politicamente inepto. Ele não jogou o “jogo dos tronos”, e perdeu a cabeça por isso. Sem dúvidas, assistir a tudo isso mexeu com Arya. Ela vai conseguir virar uma “Garota Sem Rosto”? Tô duvidando, acho que ela vai continuar sendo uma Stark até o fim e que não esquecerá de sua história e do que sua família sofreu.

 

Houve tensão entre Sansa (Sophie Turner) e Jon (Kit Harington), após Sansa se encontrar em segredo com Mindinho (Aidan Gillen) e mentir para o meio-irmão. Ela questionou Mindinho sobre ela ter sido “entregue” a Ramsay (Iwan Rheon). Ele não sabia quem era Ramsay? Ele sabia? Nenhum dos dois casos é bom. Depois, Sansa mentiu para Jon e todos os outros. Brienne (Gwendoline Christie) perguntou por que ela mentiu, mas Sansa não respondeu. PS: Está sendo ótimo ver Sansa tão poderosa nesta temporada.

 

Em Essos, Daenerys deu adeus a Jorah (Iain Glen). Que cena de partir o coração… Ela dispensou Jorah duas vezes, ele voltou duas vezes e nas duas salvou a vida de sua rainha. Ele admitiu que a ama e mostrou que está doente e agora, sim, iria embora. Então ela faz uma ordem final a Jorah, provavelmente sentindo que é a última vez que o verá (esperamos que não). Ela ordena que Jorah saia caminhando pelo mundo em busca de uma cura e dá para ver em seu rosto a dor. A devoção de Jorah sempre foi provada a nós, mas é possível que essa relação tenha acabado por aqui e os dois não cruzem mais seus caminhos.

 

Enquanto isso, em Meereen, Tyrion (Peter Dinklage) começa a se alinhar com o Senhor da Luz e com a nova Sacerdotisa Vermelha, Kinvara (Ania Bukstein). Será que isso vai dar certo? Ou veremos algo como o que aconteceu quando Cersei fez besteira em Porto Real com a Fé Militante? Varys (Conleth Hill), pelo menos, segue desconfiado da nova Mulher Vermelha e relembrou da experiência desastrosa que foi Stannis Baratheon (Stephen Dillane), ainda que tenha ficado balançado após ela provar que sabe coisas de seu passado.

O episódio também nos mostrou como os Filhos da Floresta criaram os Caminhantes Brancos (para usar como arma contra os homens). Os Filhos da Floresta viviam em Westeros muito antes dos Primeiros Homens chegarem. Quando eles chegaram, o conflito começou. E agora descobrimos que os Filhos da Floresta, em um esforço meio “sem pensar”, usaram a magia para criar uma arma contra os homens: os Caminhantes Brancos.

Mas acho que dá pra dizer que as coisas meio que já saíram do controle. Como a maioria das coisas de muito poder, os Caminhantes Brancos são mais do que os Filhos da Floresta poderiam imaginar. É a velha história do monstro de Frankenstein ou da bomba nuclear. Os Caminhantes Brancos acabaram virando inimigos de seus criadores. Nesse episódio, estavam ali para matá-los.

“The Door” trouxe uma morte muito triste e emocionante, que cresceu ainda mais com a forma que foi montada, intercalando com revelações do passado e a abertura de uma nova vertente na viagem do tempo. A sequência de ação com o Rei da Noite e os Caminhantes Brancos também foi ótima.