[Festival Varilux de Cinema Francês 2016] A Corte

A Corte é uma história delicada sobre as coisas que fazem a vida valer a pena e de como ficam as pessoas quando privadas desses elementos. O filme se foca sobre a figura austera do juiz Michel Racine (Fabrice Luchini). Ele é convocado para o julgamento de um homem acusado de ter matado a própria filha a chutes. O caso é chocante, mas não parece princípio causar nenhuma mudança em Michel que, a certa altura do filme, afirma deixar as preocupações de seu trabalho na corte, nunca se deixando abalar quando está em seu momento privado.



De fato, acompanhamos uma rotina bastante imutável. A direção de Christian Vincent se preocupa em mostrar detalhes que compõem o aspecto psicológico do juiz. Por exemplo, ele volta a seu hotel onde, toda noite, come uma maçã. Em certo momento, enquanto corta a fruta, ele se depara com um bicho que cavou a poupa. Inabalado, o juiz corta fora a parte em que está o bicho e volta a comer os nacos da fruta. Isso diz muito de como ele encara a vida.

Tudo começa mudar quando ele sorteia os jurados que farão parte do julgamento. Entre eles está Ditte. O espectador sabe que Michel a conhece e que por ela sente algo de muito profundo, mas não descobre a natureza da relação deles até muito perto do fim, o que faz da própria narrativa uma espécia de busca pela verdade, assim como acontece na corte. Ajuda também que essa atração profunda que Michel sente não seja um dos clichês já tão usados no cinema.

O momento em que se encontram é o melhor do filme, que descortina um diálogo delicioso. O filme tem a despretensão das coisas bonitas da vida. Que seu pano de fundo seja um julgamento acrescenta tensão e envolvimento.

Nota: 3.5/5