[Crítica] Steve Jobs (2015)

[Crítica] Steve Jobs
Detratores do mito Steve Jobs costumam se valer do argumento de que ele jamais inventou algo, que não criou computadores, que seu gênio, na verdade, se resumia a um autoritarismo ou coisa parecida. O filme Steve Jobs, dirigido por Danny Boyle, mesmo que tenha sido chamado de polêmico por muitos, e que também tenha sido vendido assim em grande parte, não investiga a fundo falhas no caráter de Jobs e, em certa medida, nada faz para polemizar sua figura mais do que já se tenha feito. 

Na verdade, o filme procurar fazer um estudo de personagem sensível e, ao colocar a pessoa Jobs sob os holofotes, acaba nos entregando exatamente isso: uma pessoa, sem mais falhas ou acertos do que qualquer outro. Não é possível entender, na verdade, como esse filme possa ser polêmico, ou como se quer dizer que ele explora o lado sombrio do empreendedor. 

A obra é construída numa estrutura bastante interessante. Ao longo de 14 anos, dividido em três atos, em que cada um deles envolve as preparações para a apresentação de um novo produto “criado” por Jobs – apresentação essa que é interrompida assim que anunciam o nome dele -, o ritmo do filme é esperto e inteligente. Antes de cada apresentação Steve Jobs (interpretado muito bem por Michael Fassbender) tem a oportunidade de conversar com pessoas importantes em sua vida: Steve Wozniak (Seth Rogen), John Scully (Jeff Daniels) e sua filha, interpretada por três atrizes distintas em cada fase.
Outras pessoas, obviamente, gravitam ao redor de seu eixo, como a faz-tudo Joanna Hoffman (KateWinslet). Estamos diante de alguns dilemas como o fato de Jobs haver sido adotado e que resultado isso pode ter numa pessoa, até certo ponto explica sua vontade incessante de vingança, e sua desconfiança generalizada nas outras pessoas. Talvez pela estrutura, no entanto, não se explora a fundo dificuldades psicológicas, e essa nem parece ser a preocupação do filme.
O que mais salta aos olhos é a relação conturbada que ele desenvolve com a filha, a quem sequer quis reconhecer como tal no início da vida dela. É a secretária de Jobs, aparentemente, quem mais sofre com a frieza com a qual ele trata a filha. Aceitar a filha, que lhe parece sempre algo penoso, tem muito a ver com a condução que ele faz da própria carreira.
Steve Jobs é um bom filme, muito mais quando não se espera assisti-lo para encontrar polêmicas ou dados biográficos difamatórios. Muito melhor quando reduzido ao escopo infinito das dificuldades de relações humanas. 
Nota: 3.5/5