Pedro Almodóvar não vai promover seu novo filme após ser citado no escândalo dos ‘Panama Papers’




O drama Julieta, de Pedro Almodóvar, está prestes a estrear na Espanha. Mas o cineasta decidiu cancelar sua participação nos eventos para divulgar o filme, o vigésimo de sua renomada carreira.

“Com a prioridade informativa de assuntos alheios a Julieta, a El Deseo decidiu cancelar a sessão de fotos e o junket previstos para amanhã”, divulgou a produtora do diretor em comunicado à imprensa terça-feira (05). Ele não irá dar nenhuma entrevista para promover o longa-metragem porque ele e seu irmão foram mencionados nos documentos do escândalo que ganhou o nome de Panama Papers.

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Domingo (03), foi noticiado o vazamento de mais de 11 milhões documentos confidenciais do escritório de advocacia do Panamá Mossak Fonseca. Estes documentos mostraram que o escritório ajudou clientes a administrarem empresas offshores em paraísos fiscais que podem ter sido usadas para sonegar impostos, esconder dinheiro ilícito, lavar dinheiro ou evadir divisas.

Nos documentos, revelou-se que Agustín e Pedro Almodóvar foram proprietários da sociedade Glen Valley Corporation de junho de 1991 até novembro de 1994. A empresa foi registrada no paraíso fiscal Ilhas Virgens Britânicas.

Agustín, irmão de Pedro, lamentou que o cineasta seja prejudicado pelo escândalo. “Desde que fundamos a El Deseo, Pedro e eu dividimos as responsabilidades de forma clara. Eu controlo tudo que se refere à administração, e ele se dedica a todos os aspectos criativos. Lamento o dano que a imagem pública de meu irmão vem sofrendo, provocado única e exclusivamente pela minha falta de experiência nos primeiros anos de nossa empresa familiar”, afirmou Agustín em comunicado oficial.

Entre os anos de 1991 e 1994, o cineasta fez o roteiro e dirigiu os filmes De Salto Alto e Kika. Julieta ainda não tem data de estreia prevista no Brasil.